terça-feira, 24 de novembro de 2009

Literatura e Leitura Literária: Um convite ao prazer de viajar por mares ficcionais



“A vida está pulsando ali. O livro faz parte da casa, da comida,
da experiência, da maternidade, do cotidiano.”


Adélia Prado



É possível tornar um momento de leitura algo prazeroso? Como desenvolver o gosto pela leitura literária? Como formar(se) um leitor literário?

Vivemos hoje um grande desafio que envolve, tanto a reflexão sobre a importância da leitura literária na formação escolar de nossos alunos e sobre seu significado em nossa prática pedagógica, quanto a reflexão sobre a nossa prática de leitores. Refletir sobre o significado da leitura literária em nossas vidas e na formação escolar de nossos alunos quer dizer dispor-se, ao mesmo tempo, a ensinar e a aprender. É refletir sobre o lugar que ocupamos como formadores. É ampliar as possibilidades de fazer algo diferente, algo melhor. O desafio envolve, então, tanto refletir sobre nossa prática pedagógica quanto propor novas alternativas para o trabalho com a literatura na sala de aula.

A intenção predominante desta proposta é abordar esses desafios, por meio de discussões teóricas e de atividades práticas, relacionadas ao trabalho com a leitura literária no sentido de fortalecer habilidades, atitudes, conhecimentos e vivências adequadas que consolidem um letramento literário que faça parte da vida dos sujeitos, para além de sua formação escolar.
Para tanto, nossa ação precisa estar voltada para a produção de atividades e o desenvolvimento de possibilidades de trabalho com leitura literária de forma a despertar o gosto pela leitura em leitores com pouca experiência e/ou pouco interesse. Partimos do princípio de que ninguém é “obrigado a gostar de ler”, mas, que o “gosto” pela leitura pode e deve ser trabalho em cada indivíduo, em qualquer momento ou fase de sua vida. O propósito refletir junto aos diferentes atores, discentes e docentes, sobre o ato de ler, sobre as formas de tornar a prática de leitura literária um exercício mais que agradável, ou seja, uma prática desejável, saborosa!


TRABALHANDO COM A LITERATURA NA ESCOLA - PROPOSTA METODOLÓGICA

A metodologia sugerida para o desenvolvimento desta proposta está pautada em momentos expositivos seguidos de oficinas pedagógicas realizadas em pequenos grupos, considerando a particularidade de cada participante. Envolve uma reflexão das situações trazidas da prática, dentro e fora da escola. Os resultados das buscas serão compartilhados, dando espaço para a elaboração de novas estratégias de atuação. Desejamos que o movimento pedagógico proposto no curso possa iluminar práticas transformadoras na formação de leitores e por conseguinte, nas práticas pedagógicas em sala de aula e no dia-a-dia de cada indivíduo.


TÓPICOS DE TRABALHADO SUGERIDOS:


  • O que é a leitura literária e qual a sua importância
  • A escolha do livro de literatura
  • A leitura do livro – como e por que ler literatura
  • Narrativas literárias: as vozes (autor, narrador, personagens); os espaços; o tempo; tipos de narrativas.
  • Poemas e sua leitura na escola
  • A perigrafia do livro.
  • Pacto ficcional.

OFICINAS PEDAGÓGICAS:


Oficinas de leitura criam oportunidades para que todos descubram o prazer de ler e pra que esse prazer torne-se ferramenta no desenvolvimento pessoal de cada um.


  • Trabalhando “o gosto” pela leitura: contação de histórias, teatro de fantoches, livros brinquedo, diferentes gêneros literários, desenho, dramatização, mímicas etc.
  • Saliências textuais e imagens: como e por que influenciam a leitura.
  • Sarau de poesias
  • Tiras poéticas
  • Contos de fadas: uma caixinha de surpresas
  • Recontos: uma interessante estratégia de leitura
  • Rai Kai: a literatura das novas gerações
  • Música e literatura: a leitura textual e contextual
  • Identificando diferentes gêneros literários
  • Tribuna literária: É importante que se aprenda expor, oralmente e por escrito, de forma clara e organizada, a opinião sobre o que foi lido. Assim como ouvir o ponto de vista dos colegas, repensar sua própria opinião, defender seu ponto de vista ou mesmo mudar de idéia.
  • Construindo um roteiro de leitura.
  • Pausa protocolada: uma estratégia de prender a atenção e o interesse do leitor.
  • Texto desordenado: entendendo a seqüência narrativa e o eixo de condução literária.

[*] Algumas informações foram retiradas do caderno Literatura e Leitura Literária da Coleção Alfabetização e Letramento do Ceale.

[**] Para maiores detalhes sobre o curso entre em contato através do endereço: flavialcantara@yahoo.com.br ou flavialcantara@gmail.com

Capacidades da Alfabetização - Anos iniciais do Ensino Fundamental

PARA COMEÇO DE CONVERSA...


O QUE A CRIANÇA JÁ SABE?

Vamos, inicialmente, refletir juntos a respeito de como a criança começa a aprender a língua escrita. Assim poderemos colaborar de forma mais produtiva nesse aprendizado. Quando as crianças chegam à escola e à nossa sala de aula, elas já sabem muito sobre nossa língua. Falam tudo o que precisam para suas necessidades práticas do dia-a-dia e têm algum conhecimento sobre a escrita.

Esse conhecimento varia de criança para criança, dependendo da experiência social e escolar que cada uma delas já viveu. Por isso é importante para nós e para nosso trabalho responder à pergunta: o que essa criança já sabe? É a partir da resposta a essa pergunta que vamos planejar nosso trabalho, que tem como objetivo geral: levar a criança a falar, ouvir, ler e escrever melhor, ou seja, a desenvolver e a ampliar seu uso da linguagem.

Algumas crianças podem estar mais avançadas que outras em relação à compreensão de que a escrita representa a fala. Assim, precisamos conhecer as diversas idéias que elas podem ter sobre a escrita. Precisamos também, saber como trabalhar, ao mesmo tempo e na mesma sala, com crianças que estão em momentos diferentes de amadurecimento da escrita.
Pressupostos da aprendizagem e do ensino da alfabetização
Para pensarmos no processo de aprendizagem da alfazetização e, mais especificamente, do ensino das técnicas que envolvem o processo de ler e escrever em uma perspectiva social e prática, é importante considerarmos os seguintes pressupostos:
  • LÍNGUA E ENSINO DA LÍNGUA
  • ALFABETIZAÇÃO
  • LETRAMENTO
  • ENSINO DA LÍNGUA ESCRITA

Desenvolvimento do aluno na leitura e na escrita
TRABALHANDO COM AS CAPACIDADES LINGUÍSTICAS DA ALFABETIZAÇÃO

O desenvolvimento das capacidades lingüísticas de ler e escrever, falar e ouvir com compreensão, em situações diferentes das familiares, não acontece espontaneamente. Elas precisam ser ensinadas sistematicamente e isso ocorre, principalmente, nos anos iniciais da Educação Fundamental.

Sabe-se que os três anos iniciais da Educação Fundamental não esgotam essas capacidades lingüísticas e comunicativas, que se desenvolvem ao longo de todo o processo de escolarização e das necessidades da vida social. Sabe-se, também, que o trabalho a ser feito nesses três anos iniciais não se esgota na alfabetização ou no desenvolvimento dessas capacidades lingüísticas. Mas elas são importantes porque é na alfabetização e no aprendizado da língua escrita que vêm se concentrando os problemas localizados não apenas na escolarização inicial, como também em fracassos no percurso do aluno durante sua escolarização.

O que se pretende oferecer, nesta abordagem, é uma expectativa das capacidades lingüísticas que as crianças devem desenvolver gradualmente, ou seja, daquilo que cada criança deve ser capaz de realizar a cada ano. O aprendizado e a progressão da criança, entretanto, dependerão do processo por ela desenvolvido, do patamar em que ela se encontra e das possibilidades que o ambiente escolar lhe propiciar, em direção a avanços e expansões.